Poemas -Rabindranath Tagore

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  • Não me deixe rezar por proteção contra perigos,
  • mas pelo destemor em enfrentá-los.
  • Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
  • mas pela coragem de vencê-la.
  • Não me deixe procurar aliados na batalha da vida,
  • mas minha própria força.
  • Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo,
  • mas esperar paciência para merecer a liberdade.
  • Não me permita ser covarde,
  • sentindo sua clemência apenas no meu êxito,
  • mas me deixe sentir a força da Sua mão quando eu cair.
  • Rabindranath Tagore


                         
Rabindranath Tagore (em bengali: রবীন্দ্রনাথ ঠাকুর; 7 de maio de 1861 - 7 de agosto de 1941), alcunha Gurudev, foi um polímatabengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX. Como autor de Gitanjali e seus "versos profundamente sensíveis, frescos e belos",[1] sendo o primeiro não-europeu a conquistar, em 1913, o Nobel de Literatura, Tagore foi talvez a figura literária mais importante da literatura bengali. Foi um destacado representante da cultura hindu, cuja influência e popularidade internacional talvez só poderia ser comparada com a de Gandhi, a quem Tagore chamau 'Mahatma' devido a sua profunda admiração por ele.
Um brâmane pirali[ de Calcutá, Tagore já escrevia poemas aos oito anos. Com a idade de dezesseis anos, publicou sua primeira poesia substancial sob o pseudônimo Bhanushingho ("Sun Lion")] e escreveu seus primeiros contos e dramas em 1877. Tagore condenava a Índia britânica e apoiou sua independência. Seus esforços resistiram em seu vasto conjunto de regras e na instituição que ele fundou, Universidade Visva-Bharati.
Tagore modernizou a arte bengali desprezando as rígidas formas clássicas. Seus romances, histórias, canções, danças dramáticas e ensaios falavam sobre temas políticos e pessoais. Gitanjali (Ofertas de Música), Gora (Enfrentamento Justo) e Ghare-Baire (A Casa e o Mundo) são suas mais conhecidas obras. Seus versos, contos e romances foram aclamados por seu lirismo, coloquialismo, naturalismo e contemplação. Tagore era talvez o único literato que escreveu hinos dos dois países: Bangladesh e Índia: Hino nacional de Bangladesh e Jana Gana Mana.
Rabindranath Tagore e o Mahatma Gandhi.


Tagore tinha uma caneta penetrante, juntamente com uma abordagem analítica para a vida na base do que foi a sua fé inabalável na humanidade.



Poemas
Rabindranath Tagore
 Índia
1861 / 1941
Escritor/Poeta/Músico
Irmão,nada é eterno, nada sobrevive.
Recorda isto, e alegra-te.

A nossa vida
não é só a carga dos anos.
A nossa vereda
não é só o caminho interminável.
Nenhum poeta tem o dever
de cantar a antiga canção.
A flor murcha e morre;
mas aquele que a leva
não deve chorá-la sempre...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Chegará um silêncio absoluto,
e, então, a música será perfeita.
A vida inclinar-se-á ao poente
para afogar-se em sombras doiradas.
O amor há-de ser chamado do seu jogo
para beber o sofrimento
e subir ao céu das lágrimas ...
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Apanhemos, no ar, as nossas flores,
não no-las arrebate o vento que passa.
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos
roubando beijos que murchariam
se os esquecêssemos.

É ânsia a nossa vida
e força o nosso desejo,
porque o tempo toca a finados.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Não podemos, num momento, abraçar as coisas,
parti-las e atirá-las ao chão.
Passam rápidas as horas,
com os sonhos debaixo do manto.
A vida, infindável para o trabalho
e para o fastio,
dá-nos apenas um dia para o amor.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Sabe-nos bem a beleza
porque a sua dança volúvel
é o ritmo das nossas vidas.
Gostamos da sabedoria
porque não temos sempre de a acabar.
No eterno tudo está feito e concluído,
mas as flores da ilusão terrena
são eternamente frescas,
por causa da morte.
Irmão, recorda isto, e alegra-te.

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões
                                                                    
Amor Eterno



Te amei de tantas maneiras e de tantas formas... 
de vida em vida, de época em época, sempre... 
Meu coração enfeitiçado fez uma e outras vezes 
um colar de canções que tomas-te como um presente 
e usaste em torno de teu pescoço, do teu jeito 
e de tantas formas.... 
de vida em vida, de época em época, sempre...


Onde quer que escute as velhas histórias de amor, 
sua antiga dor e esse velho conto de estar juntos ou separados, 
me detenho e uma vez ou outra, olho o passado 
e ao final de tudo, emerge você, 
revestida com a luz de uma estrela polar 
trespassando a escuridão do tempo, 
e deste modo te convertes em uma imagem 
que recordarei para sempre.

Tu e eu flutuamos ali, na corrente que flui 
de um coração cheio de amor, um pelo outro. 
Jogamos o amor ao lado de milhões de amantes, 
compartilhamos a tímida doçura do primeiro encontro, 
as mesmas lágrimas de angustia em cada despedida. 
O velho amor...que se renova uma ou outra vez, 
Sempre... 

Hoje este amor está a teus pés, encontrou sua morada em ti. 
Esse amor, o amor cotidiano de todos os homens, 
o amor do passado, o amor de sempre... 
o regozijo universal, a dor universal, a mesma vida, 
a memória de todos amores, 
as canções de todos os poetas do passado e de sempre 
se fundem neste Amor que é o nosso. 

Rabindranath Tagore 
de "Amor Eterno"
Poeta Indú 1861-1941 
Premio Nobel de Literatura




Tradução:Joe'A

Amor Eterno

Te amei de tantas maneiras e de tantas formas... 
de vida em vida, de época em época, sempre... 
Meu coração enfeitiçado fez uma e outras vezes 
um colar de canções que tomas-te como um presente 
e usaste em torno de teu pescoço, do teu jeito 
e de tantas formas.... 
de vida em vida, de época em época, sempre...
Onde quer que escute as velhas histórias de amor, 
sua antiga dor e esse velho conto de estar juntos ou separados, 
me detenho e uma vez ou outra, olho o passado 
e ao final de tudo, emerge você, 
revestida com a luz de uma estrela polar 
trespassando a escuridão do tempo, 
e deste modo te convertes em uma imagem 
que recordarei para sempre.
Tu e eu flutuamos ali, na corrente que flui 
de um coração cheio de amor, um pelo outro. 
Jogamos o amor ao lado de milhões de amantes, 
compartilhamos a tímida doçura do primeiro encontro, 
as mesmas lágrimas de angustia em cada despedida. 
O velho amor...que se renova uma ou outra vez, 
Sempre... 
Hoje este amor está a teus pés, encontrou sua morada em ti. 
Esse amor, o amor cotidiano de todos os homens, 
o amor do passado, o amor de sempre... 
o regozijo universal, a dor universal, a mesma vida, 
a memória de todos amores, 
as canções de todos os poetas do passado e de sempre 
se fundem neste Amor que é o nosso. 
Rabindranath Tagore 
de "Amor Eterno"
Poeta Indú 1861-1941 
Premio Nobel de Literatura
Tradução:Joe'A
***

As árvores são os intermináveis esforços da terra para falar com o céu.

Rabindranath Tagore

***

FLOR ESTRANGEIRA
Poema de Robindronath Tagore, do seu livro Purobi (1925), dedicado a Victoria Ocampo
 Ó flor, flor estrangeira,
quando te perguntei
teu nome,
abanaste a cabeça,
brincando.
E disse comigo:
Que pode haver num nome?
Pelo teu sorriso és conhecida
e somente por êle.
 Ó flor, flor estrangeira,
quando te apertei ao meu coração
e perguntei:
   - Dize-me, onde moras?
Abanaste a cabeça,
brincando.
 - Não sei onde é,
respondeste.
E eu disse comigo:
Era inútil perguntar
de onde vinhas.
Tua casa está
no amoroso coração daquele
que te conhece
e apenas lá.
Ó flor, flor estrangeira,
quando te perguntei, num suspiro:
 - Que idioma falas?
Abanaste a cabeça,
brincando,
enquanto as fôlhas
se punham a murmurar.
 E comigo disse:
Agora sei
que a mensagem do teu perfume
transporta tua esperança sem palavras
e teu talento
é a minha própria vida.
 Ó flor, flor estrangeira,
quando te perguntei,
a primeira vez que vim
de madrugada:
 - Sabes quem sou?
Abanaste a cabeça,
brincando.
 E disse comigo:
Não tem grande importância.
Se soubesses
que meu coração fica
cheio de alegria
perto de ti,
então, ninguém me conheceria melhor,
ó flor, flor estrangeira.
Ó flor, flor estrangeira,
quando te perguntei:
 - Algum dia me esquecerás?
Abanaste a cabeça,
brincando.
 E senti no meu coração
que me recordarias
muitas e muitas vezes,
quando eu te deixasse
por uma outra terra.
A distância virá
aproximar-nos
em sonho
e não me hás de esquecer
nunca mais.
(Nota: Este poema foi traduzido desde o inglês por Cecília Meireles.
 Robindronath Tagore esteve na casa de Victoria Ocampo em S. Isidro-B. Aires (Argentina), por mais de dois  meses a finais de 1924. Entre ambos estabeleceu-se um amor profundo, a pesares da distância em idade. As muitas cartas que entre eles há assim o confirmam).
 Marli Savelli de Campos 
*** Ó mulher, não és apenas a obra-prima de Deus, mas também a dos homens. Estes te enfeitam com a beleza do seu coração. Os poetas tecem os teus véus com os fios de ouro da sua fantasia; os pintores imortalizam a forma de teu corpo. Dá suas pérolas o mar, as minas dão seu ouro, dão suas flores os jardins estivais - para que sejas mais linda e mais preciosa. O desejo do homem coroa de glória tua mocidade. És metade mulher, metade sonho. Tagore

A Mulher Inspiradora
Mulher, não és só obra de Deus; 
os homens vão-te criando eternamente 
com a formosura dos seus corações, 
e os seus anseios 
vestiram de glória a tua juventude. 
Por ti o poeta vai tecendo 
a sua imaginária tela de oiro: 
o pintor dá às tuas formas, 
dia após dia, 
nova imortalidade. 
Para te adornar, para te vestir, 
para tornar-te mais preciosa, 
o mar traz as suas pérolas, 
a terra o seu oiro, 
sua flor os jardins do Verão. 
Mulher, és meio mulher, 
meio sonho. 
Rabindranath Tagore ***

Disse-me baixinho: 
— Meu amor, olha-me nos olhos. 
Ralhei-lhe, duramente, e disse-lhe: 
— Vai-te embora. 
Mas ele não foi. 
Chegou ao pé de mim e agarrou-me as mãos... 
Eu disse-lhe: 
— Deixa-me. 
Mas ele não deixou. 
Encostou a cara ao meu ouvido. 
Afastei-me um pouco, 
fiquei a olhá-lo e disse-lhe: 
— Não tens vergonha? Nem se moveu. 
Os seus lábios roçaram a minha face. 
Estremeci e disse-lhe: 
— Como te atreves? 
Mas ele não se envergonhou. 
Prendeu-me uma flor no cabelo. 
Eu disse-lhe: 
— É inútil. 
Mas ele não fez caso. 
Tirou-me a grinalda do pescoço 
e abalou. 
Continuo a chorar, 
e pergunto ao meu coração: 
Porque é que ele não volta? 
Rabindranath Tagore
                                                                            

         
TEMPO
Em sua mãos,meu Deus,o tempo é infinido.
Não há nada que conte
 os seus minutos.
Passam dias e noite,as eras florecem e murcham voce sabe esperar
seus seculos se sucedem aperfeiçoando uma pequena flor silverstre
Não temos tempo a perder;por isso lutamos por nossas chances.
somos muito pobres para nos atrasar.
Assim o tempo passa,enquanto o ofereço a qualquer rabugento
que o reclame.
O seu altar se esvaziou até da última oferenda.
ao fim do dia,me apresso,
temendo que o portão se  feche,
mas descubro que ainda há tempo.
Amor Pacífico e Fecundo
Não quero amor 
que não saiba dominar-se, 
desse, como vinho espumante, 
que parte o copo e se entorna, 
perdido num instante. 
Dá-me esse amor fresco e puro 
como a tua chuva, 
que abençoa a terra sequiosa, 
e enche as talhas do lar. 
Amor que penetre até ao centro da vida, 
e dali se estenda como seiva invisível, 
até aos ramos da árvore da existência, 
e faça nascer 
as flores e os frutos. 
Dá-me esse amor 
que conserva tranquilo o coração,na plenitude da paz! ***
 À Espera do Amado Desconhecido
Quem é esta mulher, 
a sempre triste, 
que vive no meu coração? 
Quis conquistá-la mas não consegui. 
Adornei-a com grinaldas 
e cantei em seu louvor... 
Por um momento 
bailou o sorriso no seu rosto, 
mas logo se desvaneceu. 
E disse-me cheia de pena: 
— A minha alegria não está em ti. 
Comprei-lhe argolas preciosas, 
abanei-a 
com leques recamados de diamantes, 
deitei-a em cama de oiro ... 
Bateu as pálpebras 
como um relâmpago de alegria 
que logo se apagou. 
E disse-me cheia de pena: 
— Não está nessas coisas a minha alegria. 
Sentei-a num carro de triunfo, 
e passeei-a por toda a terra. 
Milhares de corações conquistados 
caíram humildes a seus pés, 
e as aclamações reboaram pelo céu... 
Durante um momento 
brilhou o orgulho nos seus olhos, 
mas logo se desfez em lágrimas. 
E disse cheia de pena: 
— Não está na vitória a minha alegria.. 
Perguntei-lhe: 
— Que queres então? 
Respondeu-me: 
— Espero alguém 
que não sei como se chama. 
Depois calou-se. 
E passa os dias a dizer cheia de pena: 
— Quando virá o amado desconhecido? 
Quando o conhecerei para sempre? 
Rabindranath Tagore,
***
       Se não Falas 

Se não falas, vou encher o meu coração

Com o teu silêncio, e aguentá-lo.

Ficarei quieto, esperando, como a noite

Em sua vigília estrelada,

Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,

A escuridão se dissipará, e a tua voz

Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão

Em canções de cada ninho dos meus pássaros,

E as tuas melodias brotarão

Em flores por todos os recantos da minha floresta.


Flor de Lótus 

No dia em que a flor de lótus desabrochou

A minha mente vagava, e eu não a percebi.

Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.

Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.

Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro

De um perfume no vento sul.

Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.

Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.

Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim

Que ela era minha, e que essa perfeita doçura

Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

 Verdades 

Roubo do hoje a força

Fazendo nascer o amanhã.

Da janela acompanho com olhar

As nuvens do céu.

De novo a sombra sinistra

Tolda tristemente meus sonhos.

Tua imagem me acompanha

Por todos os lugares por onde ando.

E em todos os momentos

É a tua presença que espanta

As brumas do desconhecido.

Não faço perguntas.

Tenho medo das respostas que já sei.

Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.

Vivi meus três caminhos na terra.

Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não cair nos mesmos erros.
Agora — vago e espero
Entre tropeços e flagelos
O ressurgir da verdade.
A Prisão do Orgulho Choro, metido na masmorra do meu nome. Dia após dia, levanto, sem descanso, este muro à minha volta; e à medida que se ergue no céu, esconde-se em negra sombra o meu ser verdadeiro. Este belo muro é o meu orgulho, que eu retoco com cal e areia para evitar a mais leve fenda. E com este cuidado todo, perco de vista o meu ser verdadeiro. Tagore
A Lua Nova 
Como discutem e como gritam!
Como desconfiam e se desesperam!
Nunca param de brigar!
Que tua vida se ponha entre eles, inalterável e pura
Como uma língua de luz
E lhes imponha silêncio com sua formosura.
Que cruéis os torna a cobiça e o ciúme! Como
Violências disfarçadas sedentas de sangue são suas palavras.
Ponha-se entre seus corações irados e que
Teu olhar sublime caia sobre eles como cai a indulgente
Paz do anoitecer sobre a batalha do dia.
Deixe que olhem tua face
E que assim compreendam o sentido de todas as coisas.
Que te amem, e assim amem um ao outro.
Vem ocupar teu lugar nos braços do Eterno.
Abre e levanta teu coração ao nascer do sol, como uma nova flor.
E quando o sol se pôr, inclina tua cabeça e reze
Em silêncio a oração da tarde.
Aforismos 
Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando, vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.
Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.
Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido:
'Sou tua mãe a morte, e te hei de dar nova vida'.
O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.
A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.
Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.
A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.
Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.
Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.
Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles.

 Rabindranath  Tagore, in "O Coração da Primavera" 
Tradução de Manuel Simões
Como corre a gazela,
Pela sombra dos bosques,
Enlouquecida pelo próprio perfume,
Assim, como eu, enlouquecido,
Nesta noite do coração de Maio,
Aquecida pela brisa do sul.
Perdi o caminho,
E erro ao acaso.
Quero o que não tenho,
E tenho o que não quero.
A imagem do meu próprio desejo,
Sai do meu coração
e, dançando diante de mim,
cintila uma e outra vez,
subitamente..
   
Quero agarrá-la, mas escapa-se..
E,  já longe,  chama-me outra vez
do atalho..
Quero o que não tenho,
E tenho o que não quero....
 Desejo 
Desejo dizer-lhe as palavras mais profundas, mas não me atrevo, porque temo sua gozação. Por isso acho graça de mim mesmo e transformo em brincadeira meu segredo.
Duvido de minha angústia, para que você não duvide.
Desejo dizer-lhe as palavras mais sinceras, mas não me atrevo, porque temo que não acredite. Por isso as disfarço de mentiras e digo o contrário do que penso.
Me esforço para que minha angústia não pareça absurda para que você não ache que é.
Desejo dizer-lhe as palavras mais valiosas, mas não me atrevo, porque temo não ser correspondido. Por isso me declaro duramente e me orgulho de minha insensibilidade.
Desejo sentar-me silenciosamente a seu lado, mas não me atrevo, porque temo que meus lábios traiam meu coração. Por isso falo disparatadamente, escondendo meu coração atrás das minhas palavras.
Trato a mim mesmo com dureza, para que você não o faça.
Desejo separar-me de você, mas não me atrevo, porque temo que descubra minha covardia. Por isso levanto a cabeça e fico perto de você com ar indiferente.
A constante provocação de nossos olhares remove minha angústia sem piedade.
 Minha canção 
Minha canção te envolverá com sua música, como os abraços sublimes do amor. Tocará o teu rosto como um beijo de graças. Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido. Minha canção será como asas para os teus sonhos e elevará teu coração até o infinito. Quando a noite escurecer o teu caminho, minha canção brilhará sobre ti como a estrela fiel. Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas. Quando minha voz se calar para sempre, minha canção te seguirá em teus pensamentos.
Presente de amante 
Ela está perto de meu coração, tão linda quanto uma flor no jardim; é suave, como é o descanso para o meu corpo. O amor que lhe tenho é minha vida fluindo plena, como corre o riacho nas manhãs de outono, em sereno abandono. Minhas canções são únicas como meu amor, como é único o murmúrio de um rio que canta com todas suas ondas e correntes.
Na luz desta manhã de primavera, canta, poeta, daqueles que passam sem se deter, que vivem sorrindo sem olhar para trás, que florescem em uma hora de deleite sem sentido, e se entristecem num instante, sem pensar. Não fique calado, recitando o rosário de suas lágrimas e alegrias que passaram; não pare para colher as pétalas caídas das flores; não corra atrás do que é enganoso, por desconhecer o seu sentido. Deixe as coisas insignificantes de sua vida onde estão, para que a música surja de suas 

profundezas.
Durante a noite, no jardim, lhe ofereci o vinho espumante de minha juventude. Você bebeu, fechou os olhos e sorriu; e enquanto eu levantei seu véu, soltei suas tranças e deitei em meu peito seu rosto docemente silencioso; durante a noite, quando o sonho da lua embalava o seu sono. Agora, na calma refrescada do campo, você caminha em direção ao templo de Deus, banhada e vestida de branco, com uma cesta de flores na mão. Eu, à sombra da árvore, deito a cabeça; na calma refrescada do campo, junto ao caminho solitário do templo.
Meditação 
O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas...

 Le Monde, de Paris, França 
Arnaldo Poesia
1999/2009.

“A terra é insultada.

 E oferece suas flores

 como resposta”

(Rabindranath Tagore)

As mãos segurando as mãos e os olhos mergulhando nos olhos… Assim começa a história dos nossos corações. É noite de março, noite de lua cheia,e no ar flutua o doce perfume da henna. Minha flauta está no chão, esquecida, e a tua grinalda de flores ficou sem terminar…Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.Teu véu cor de açafrão embriaga os meus olhos, e a coroa de jasmins que teceste para mim enche-me o coração como um louvor. Brincamos de dar e de reter, de mostrar e de novo esconder. Alguns sorrisos ao lado de pequenos gestos de timidez, e algumas doces e inúteis brigas…Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.Este amor não tem mistérios além do presente; não deseja alcançar o impossível, não tem sombras por trás do encanto, nem buscas na escuridão mais profunda…Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção.As palavras não nos extraviam, levando-nos ao silêncio eterno, nem levantamos nossas mãos ao vazio, buscando coisas além da esperança.Basta o que damos e recebemos… Nunca forçamos a alegria ao máximo, para dela espremer o vinho da dor…Este amor entre nós é simples, é igual a uma canção. Rabindranath Tagore
MINHA CANÇÃO ( Rabindranath Tagore)
Minha canção te envolverá com sua música,
Como os abraços sublimes do amor.
Tocará o teu rosto como um beijo de graças.
Quando estiveres só,
Se sentará a teu lado e te falará ao ouvido.
Minha canção será como asas para os teus sonhos
e elevará teu coração até o infinito.
Quando a noite escurecer o teu caminho,
Minha canção brilhará sobre ti como estrela fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos
e guiará teu olhar até a alma das coisas.
Quando minha voz se calar para sempre,
Minha canção te seguirá em teus pensamentos....
*
Esta manhã de outono já se cansou de tanta luz. Se as tuas canções se tornaram vacilantes e lânguidas, dê-me um pouco a tua flauta.  Brincarei com ela ao meu gosto. Vou colocá-la no meu colo, depois tocá-la com os meus lábios, e depois deixá-la repousando na relva ao meu lado.  Na solene tranquilidade do entardecer colherei flores para cobri-la com pequenas grinaldas. Vou enchê-la de perfume e adorá-la com a lamparina acesa.  À noite virei ao teu encontro e te devolverei a tua flauta. Então nela soprarás a música da meia noite, enquanto a solitária lua crescente vagueia em meio às estrelas.  Rabindranath Tagore 
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