O LIVRO DE MIRDAD


O LIVRO DE MIRDAD
Autor: Mikhaïl Naimy

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 O Amor é a Lei de Deus. 
Viveis para que aprendais a amar. 
Amais para que aprendais a viver. 
Nenhuma outra lição é exigida do homem.



Sou tua criança, ó Senhor,
e esta terra bela, rica e abundante,

em cujo seio me puseste para dormir,

é somente o berço de onde

engatinho para ti.

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Não há na minha boca julgamento, e sim a Sagrada Compreensão. Não vim para julgar o mundo, antes foi para desjulgá-lo, pois só a Ignorância gosta de vestir a beca e o capelo, expor a lei e aplicar as penas.
O mais impiedoso juiz da Ignorância é a própria Ignorância. Consideremos o Homem. Não tem ele, na ignorância, se dividido em dois, atraindo assim a morte para si, bem como para todas as coisas deste seu mundo dividido?
Em verdade vos digo, não há Deus e Homem, mas sim Deus-Homem ou Homem-Deus. Só há o UM. Não obstante multiplicado, não obstante dividido, é para sempre UM.
A unicidade de Deus é a eterna lei de Deus. É uma lei que por si se cumpre. Não há necessidade de cortes de justiça nem de juizes que o proclamem e sustentem a sua dignidade e a sua força. O Universo - o visível e o invisível - é uma só boca a proclamá-lo para aqueles que tem ouvido para ouvir. Não é o Mar - conquanto vasto e profundo - uma só gota?
Não é a Terra - conquanto lançada tão longe - uma só esfera?
Não são as esferas - conquanto tão numerosas - um só universo?
Também a humanidade é um só Homem. Semelhantemente, o homem, com todos os seus mundos, é uma unidade completa.
A unicidade de Deus, meus companheiros, é a única lei do Ser. O Outro nome que se lhe dá é Amor. Sabê-la e nela habitar é habitar na Vida. Mas habitar em qualquer outra lei é habitar no não-ser, ou seja, na Morte.
A Vida é colher. A Morte é espalhar. A Vida é ligar. A Morte é desligar. Eis porque o Homem - o dualista - está suspenso entre as duas, pois ele colhe, mas somente espalhando. E ele liga, mas somente desligando. Ao colher e ligar, ele guarda A Lei, e a sua recompensa é a Vida. Ao espalhar e desligar, ele peca contra a Lei, e a sua amarga recompensa é a Morte.
Ne entanto, vós, auto-condenados, sentai-vos para julgar os homens que já estão, como vós, auto-condenados. Que horríveis juizes e que horrível julgamento! Menos horrível seria dois sentenciados, cada qual condenando o outro às galés.
Menos ridículo seria dois bois no jugo, cada qual dizendo ao outro: "eu o poria no jugo".
Menos macabro seria dois cadáveres numa cova trocando entre si condenações à cova. Menos digno de compaixão seria dois cegos a arrancarem mutuamente os olhos.
Evitai sentar-vos na cadeira do julgamento, meus companheiros, pois para pronunciardes um julgamento contra alguém ou alguma coisa, não somente deveis conhecer a Lei e viver de acordo com ela, mas também ouvir o testemunho. E a quem ouvireis como testemunha em qualquer caso que se apresente?
Chamareis o vento para depor em juízo? Pois o vento auxilia e instiga qualquer ocorrência debaixo do céu.
Ou citareis as estrelas? Pois elas estão a par de tudo que sucede no mundo.
Ou enviaríeis intimações a todos os mortos desde Adão até hoje? Pois todos os mortos estão vivendo nos vivos.
Para ter um depoimento completo em qualquer caso, o Cosmo, precisa ser a testemunha. Quando puderdes levar o Cosmo à corte, não necessitareis de cortes. Descereis da cadeira de juiz e deixareis que a testemunha seja o juiz.

Quando conhecerdes a todos não julgareis ninguém.



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