Oceano Vital - Huberto Rohden





OCEANO VITAL.

Todos nós conhecemos alguns efeitos da eletricidade, como sejam, luz, calor, força. Mas que é a eletricidade em si mesma? É o pólo positivo ou anódico (+) ? É o polo negativo ou catódico   (-) ? É a reunião desses dois pólos na síntese de luz, calor ou força (+ -)?
Não! Ela é a Tese do Neutro, do pré-positivo e do pré-negativo, o Universal, que, para a nossa percepção é o Nada, precisamente por ser o Todo. Os dois pólos elétricos, são apenas duas manifestações conhecidas de algo desconhecido e imanifesto. Seria absurdo admitir que, antes de o gerador na usina entrar em movimento, não houvesse eletricidade e que o gerador produzisse a eletricidade do puro nada. Na realidade, o gerador produz apenas os dois pólos, positivo-e-negativo do seio imenso do Neutro ou Universal. O que o gerador da usina faz não é criar no nada os dois pólos elétricos, mas sim transformar, separar, dissociar, para a direita e para a esquerda (anodo e catodo) dois elementos que, desde sempre, se achavam contidos no misterioso seio daquele Imanifesto.

De modo análogo, a Realidade do Imanifesto do TODO se revela aos nossos sentidos e à nossa mente na forma de Algos manifestos, espírito e matéria.

No mundo dos seres orgânicos deparase-nos os fenômenos bi-polar do vivo (positivo, anodo) e do morto (negativo, catodo); mas anterior aos indivíduos vivos e indivíduos mortos há a Vida Universal. A Vida Universal, Cósmica, é anterior a qualquer indivíduo vivo ou morto; vivo ou morto são dois derivados da Vida inderivada.

Quando matamos um indivíduo vivo, destruímos um veículo que veiculava uma parcela da Vida Universal, a qual, por isso, deixa de se manifestar através desse canal; mas não destruímos a Vida, que é absolutamente indestrutível. A Vida é a própria realidade.

O nascer e o morrer dos indivíduos assemelha-se ao subir e ao descer das ondas na superfície do oceano; o oceano corresponde à Vida Universal, que não aumenta com o nascimento de um indivíduo vivo, nem diminui com a morte de um indivíduo morto. O Oceano Vital é absoluto, eterno, infinito, imutável - apenas as suas ondas, pequenas ou grandes, os indivíduos - é que surgem e descem, nascem e morrem, entram na zona visível do manifesto, e saem dessa zona submergindo no Invisível e Imanifesto.


Setas Para o Infinito - Huberto Rohden







“Pobre pelo espírito” é aquele que se libertou interiormente de todo o apego a qualquer objeto externo.
“Puro de coração” é aquele que se libertou, não só dos objetos externos, mas, também, do sujeito interno, isto é, daquilo que ele idolatrava como sendo o seu sujeito, o seu eu, embora fosse apenas o seu pseudo-eu, o seu pequeno ego físico-mental.
Quem se libertou dos bens materiais fora dele possui o “reino dos céus”, porque o seu reino já não é deste mundo; rejeitou a oferta do ego luciférico “eu te darei todos os reinos do mundo e sua glória” – mas quem se libertou, também, do maior pseudo bem dentro dele, o seu idolatrado ego personal, esse tem a certeza de “ver a Deus”, verá o verdadeiro Deus, porque olha para além do seu falso eu.
De maneira que ser puro de coração é ainda mais glorioso do que ser pobre pelo espírito; ser interiormente livre da obsessão do ego vivo é mais do que ser livre da escravidão da matéria morta. Aliás, ninguém pode ser realmente livre da matéria morta dos bens externos sem ser livre da ilusão do ego vivo, porque tudo que eu chamo “meu” é apenas um reflexo e uma consequência do meu falso “eu”, o ego físico -mental; se o meu falso eu se tivesse integrado no verdadeiro Eu, que é o Universo em mim, não teria eu necessidade alguma de me apegar àquilo que chamo “meu”, os bens individuais. Enquanto o pequeno eu não tiver em si suficiente segurança interna, necessita de buscar seguranças em fatores externos; mas a segurança interna torna supérflua as seguranças externas; o pequeno eu fez tantos ‘seguros de vida” porque não possui segurança. Age sob o impulso da lei da compensação.
A definitiva integração do pequeno ego físico -mental no grande Eu racional-espiritual é que é pureza de coração, que garante uma visão clara de Deus. Ninguém pode ver claramente o Deus transcendente do universo de fora antes de ver nitidamente o Deus imanente do universo de dentro.
Nas letras sacras — como também nos escritos de Mahatma Gandhi — “impureza” quer dizer egoísmo, e “pureza” significa o oposto, que é o amor universal a solidariedade cósmica. Os demônios, no Evangelho, são constantemente chamados ‘espíritos impuros”, porque são egoístas, tanto assim que procuram apoderar-se de corpos humanos, desequilibrando -os física e mentalmente, só para gozarem de certo conforto pessoal que essa obsessão lhes dá. Esse egoísmo é que é chamado “impureza”.
Gandhi, quando não conseguia fazer prevalecer os seus ideais entre os patrícios renitentes, recorria a um período de “self -purification”, mediante a oração e o jejum, porque atribuía essa falta de força espiritual ao seu egoísmo; para ele, egoísmo era impureza e fraqueza, ao passo que amor era pureza e força.
Certa teologia cristã, quando fala em impureza, entende apenas o abuso dos prazeres sexuais. Estes, certamente, também fazem parte do egoísmo humano, são o egoísmo da carne; mas não são a única nem mesmo a principal zona do egoísmo ou da impureza; todo e qualquer egoísmo é impureza. Os demônios de que o Evangelho nos fala, eram “espíritos impuros”, embora não estivessem sujeitos à impureza sexual. Eram impuros por egoísmo.
O egoísta impuro não pode ver a Deus, que é amor puríssimo. O egoísmo, portanto, a egolatria, equivale a uma cegueira mental. Entre o Deus -amor e o homem egoísta se ergue, por assim dizer uma muralha opaca que intercepta a luz divina. Enquanto o homem não ultrapassar as estreitas barreiras do seu ego personal, está com o s olhos vendados, separados de Deus por uma camada impermeável à luz, que é a impureza do coração. Por mais que um ególatra ouça falar em Deus, nada compreende, porque compreender supõe ser. Ninguém pode compreender senão aquilo que ele vive ou é no seu íntimo ser. Entender é um ato mental, mas compreender é uma atitude vital; entender mentalmente é uma função parcial, unilateral do nosso ego humano — compreender é uma vivência total, unilateral, do nosso Eu divino. Quem não é divino não pode saber o que é Deus. O egoísta é antidivino, e por isso não pode compreender o que é divino, não pode ver a Deus”, antes de adquirir “pureza de coração”.
“Ver a Deus” “ver o reino de Deus”, são expressões típicas que Jesus usa para designar a experiência direta da Realidade eterna, o contato íntimo com ela. Outros creem em Deus — mas só o puro de coração vê a Deus. O simples crer, embora necessário como estágio preliminar, não é suficiente para a definitiva redenção do homem, que consiste na vidência ou visão de Deus. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”…
Huberto Rohden – o Sermão da montanha

Espiritualidade é um encontro ,
a partir de uma experiencia própria 
uma descoberta pessoal de Deus
que tem como base 
o amor, a fé e a aceitação,
é fonte de inspiração e transformação .


Nunca homem algum curou outro homem.
Nunca remédio algum curou alguém.
Nunca nenhum canal forneceu água para outro canal.



Somente a Fonte do Uno pode fornecer água, SEM ou ATRAVÉS de canais do Verso. Vida e Saúde são atributos exclusivos do Cosmos, do Uno, do Infinito. Se há falta de vida ou saúde no homem, a falta não é do cosmos, mas do homem. O cosmos é imparcial, não falha jamais, não tem preferências nem favoritismos para com ninguém. O médico, o psiquiatra, o curador não podem remover o obstáculo creado pelo doente; mas pode servir de seta indicadora na encruzilhada; podem funcionar como CATALISADORES. Catalisador, na química, é uma substância cuja simples presença fa com que o fator catalisante se modifique a si mesmo. O catalisador é algo parecido com o GURU, o mestre espiritual, cuja simples presença dinâmica beneficia o discípulo. Aura, fluído, graça — palavras usadas por Paul Brunton, por Mouni Sadhu e por muitos outros, para designar a atuação misteriosa que um verdadeiro mestre irradia sobre certos discípulos quando devidamente sintonizados. Dissipam-se as dúvidas, amainam as tempestades, serenam as angústias, em face do poderoso catalisador. 

Esta presença catalisante, porém, deve ser uma presença qualitativa, e não simples presença física do mestre. Deve ser uma presença cosmo-dinâmica, cristo-dinâmica, que se origina por uma cosmo-consciência de alta voltagem, do tipo "eu e o Pai somos um, o Pai está em mim, e eu estou no Pai". O catalisador não age pelo que DIZ, FAZ, PENSA ou QUER conscientemente, em ato, mas, sim, pelo que ele É extraconscientemente, em atitude. A sua atuação catalítica provém do seu íntimo SER, e não do seu externo FAZER. Esse intimo ser revela-se como AURA, FLUÍDO, VIBRAÇÃO, GRAÇA, vibrações não acessíveis aos sentidos nem ao intelecto do homem profano. Estas vibrações — "a graça do mestre" — atuam poderosamente sobre as pessoas que possuam a necessária IDONEIDADE RECEPTIVA. 

"Quando o discípulo está pronto, então o mestre aparece". 

Huberto Rohden - Cosmoterapia: a cura dos males humanos pela Consciência Cósmica


Penso com horror nas minhas preces de outrora,
Quando eu pedia alguma coisa
Vida, saúde, prosperidade e outros ídolos
Como se algo houvesse de real,
Fora de ti, meu Deus,
Realidade única, total, absoluta!

Como se em ti não estivessem contidas
Todas as coisas do universo!...

Como se todos esses pequenos "realizados"
Não fossem reflexos de ti, o grande "Real"!...

Tamanha era a minha ilusão dualista,
Que eu julgava poder possuir algum efeito individual
Sem possuir a Causa Universal!...

Hoje morreu em mim toda essa idolatria,
Esse ilusório dualismo objetivo.

Redimido pela verdade libertadora,
Sinto, hoje, nas profundezas do meu Ser,
O grande monismo do Universo.

Hoje, o alvo das minhas orações
És tu, Senhor, unicamente tu.

Hoje, sei e sinto que, possuindo a ti,
Possuo em ti todas as coisas
Que de ti emanaram,
E em ti ficaram.
..




Todas as coisas que, por mais distintas de ti,
São todas iminentes em ti.

Porque tu és a eterna Essência
De todas essas Existências temporárias.

Hoje não quero mais nada
Senão a ti somente, Senhor,
Porque em ti está tudo
Que, fora de ti, parece existir.

E, porque assim te amo, Senhor,
Amo também tudo que é teu,
Tudo que, disperso pelo cenário cósmico,
Veio de ti,
Está em ti,
Voltará a ti.

Revestiu-se de mística sacralidade
O meu antigo amor profano,
Desde que vejo o Deus do mundo
Em todas as coisas do mundo de Deus.

E o pecado das minhas orações de outrora
Foi remido pela verdade da minha prece de hoje.
(Huberto Rohden)




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