O Livro


                                        Livro do Tesouro 
Quando Deus comunicou o sopro puro da  vida ao corpo de Adão, que era apenas 
terra e água, não quis que as hostes de anjos soubessem e nem mesmo suspeitassem disso. 
Disse-lhes, portanto: 
“Prosternai-vos diante de Adão, ó Espíritos Celestiais!” 
Todos se prosternaram até o chão, e,  enquanto se achavam inclinados, Deus 
comunicou o sopro da vida a Adão, e nenhum deles teve conhecimento do segredo que Deus 
desejava ocultar. Isto é, nenhum senão Iblis,  que disse a si mesmo: “Ninguém me verá 
dobrar o joelho. Ainda que a cabeça me caia do corpo, isso não será tão mau quanto fazer o 
que Deus quer. Sei muito bem que não se trata apenas de Adão estar ou não estar na terra, e, 
por conseguinte”, não pretendo inclinar a cabeça e deixar de presenciar o segredo”. Assim, 
em vez de prostrar-se, Iblis ficou atento e viu o segredo. Mas Deus disse: 65
“Ó tu, que estavas espreitando, roubaste-me o segredo e, por isso, provocar-te-ei a 
morte, pois não quero que nenhum outro ser o conheça. Quando um rei da terra esconde um 
tesouro, mata a pessoa que o viu escondendo. Tu és essa pessoa”. 
“Senhor”, acudiu Iblis, “concedei-me uma trégua, pois sou vosso servo; e dizei-me: 
como poderei expiar meu pecado?” 
“Visto que ma pedes”, anunciou Deus, “conceder-te-ei  uma trégua; apesar disso, a 
partir deste momento pôr-te-ei no pescoço o colar da maldição e impor-te-ei o nome de 
mentiroso e caluniador para que toda gente se acautele de ti até o dia da ressurreição.” 
Disse Iblis: 
“Que posso temer da vossa maldição desde que esse puro tesouro se manifestou para 
mim? Assim como vem de vós a maldição, assim também vem a misericórdia. Onde há o 
veneno há também o antídoto. Amaldiçoais algumas criaturas e abençoais outras. Agora que 
delinqúi sou a criatura da vossa maldição”. 
Se não podes descobrir e entender o segredo de que falo, não é por ele não existir, 
senão por não procurares direito. Se fazes distinção entre as coisas que vêm de Deus, não és 
um homem no caminho do espírito. Se te consideras honrado pelo diamante e humilhado 
pela pedra, Deus não está contigo. Nota bem, não deves desamar o diamante e detestar a 
pedra, pois ambos vêm de Deus. É melhor que tua amante, num momento de exaltação, te 
atire uma pedra do que uma mulher atirar-te uma jóia. 
No caminho do aperfeiçoamento de si mesmo, o homem não deve perder tempo nem 
por um instante. Se ele cessar, por um  átimo sequer, de trabalhar pelo próprio 
aperfeiçoamento, ficará para trás. 
Extrato de “Ganj-Nama”,
   de Osman Amru                   

Jesus e o cântaro de água 

Jesus bebeu da água de um límpido regato, cujo gosto era mais agradável que o do 

orvalho da rosa. Um dos seus companheiros encheu um cântaro com a mesma água, e eles 

se puseram de novo a caminho. Mais adiante, sentindo sede, Jesus tomou um gole da água 

do cântaro, mas ela lhe soube mal; detendo-se, espantado, rezou: 

“Ó Deus, a água do regato e a água do cântaro são a mesma. Dizei-me por que uma é 

mais doce do que o mel e a outra é tão amarga”. 

Falando, então, disse o cântaro a Jesus: 

“Estou muito velho e já fui modelado mais de mil vezes debaixo do firmamento das 

nove cúpulas — às vezes como vaso, às vezes como cântaro, às vezes como jarro. Fosse 

qual fosse a forma que assumia, eu sempre tinha comigo o travo da morte. Sou feito de 

modo que a água que carrego compartilha sempre desse amargor”. 

Ó homem imprudente! Procura entender o sentido do cântaro. Forceja por desvendar 

o mistério antes que a vida te seja arrebatada. Se, enquanto vivo, não lograres encontrar-te, 

conhecer-te, como compreenderás o segredo da tua existência ao morrer? Participas da vida 

do homem e, no entanto, não passas de um pseudo-homem. 

Sócrates e seus discípulos 

Quando Sócrates se achava prestes a morrer, disse-lhe um dos discípulos: 

“Mestre, depois que vos tivermos lavado e amortalhado, onde desejais ser 

enterrado?’ 

Sócrates respondeu: 

“Se me encontrares, querido discípulo, enterra-me onde quiseres, e boa noite! Se em 

minha longa vida não consegui encontrar-me, como me encontrareis depois que eu estiver 

morto? Vivi de tal maneira que, neste momento, só sei que o menor dos fios de cabelo do 

conhecimento de mim mesmo não é evidente”. 


O guerreiro muçulmano e o cruzado cristão 

Um muçulmano e um cristão estavam lutando quando chegou o momento, para o
muçulmano, de fazer suas orações, de sorte que ele, orgulhoso, pediu ao cristão que lhe
concedesse uma trégua. O cruzado concordou, e o muçulmano, afastando-se, fez suas
orações. Quando voltou, reiniciou-se o combate com. renovado vigor. Pouco depois, por seu
turno, o cruzado solicitou uma pausa para poder dizer as suas preces. Sendo-lhe atendido o
pedido, ele também se afastou e, escolhendo um local apropriado, prosternou-se no pó
diante do seu ídolo. Quando o muçulmano viu o adversário de cabeça baixa, disse a sós
consigo: “Esta é a minha oportunidade de lograr a vitória”, e veio-lhe a idéia de golpeá-lo à
traição. Mas uma voz interior recriminou-o: “Ó homem desleal, que pretendes trair o teu
compromisso, é assim que manténs a tua palavra? O descrente não sacou da espada contra ti
quando lhe pediste uma trégua. Não te lembras das palavras do Corão: ‘Cumpre fielmente
tuas promessas’? Visto que um infiel foi generoso contigo, não te mostres inferior a ele. Ele
agiu bem, queres agir mal. Faze-lhe o que ele te fez. Serás tu, muçulmano, indigno de
confiança?” Conteve-se o muçulmano. Torturado pelo remorso, viu-se banhado em lágrimas
da cabeça aos pés. Quando o cruzado deu tento do seu pranto, perguntou-lhe a razão dele.
“Uma voz celestial”, explicou o muçulmano, “censurou-me por não ter sido leal
contigo. Vês-me neste estado porque fui vencido pela tua generosidade.”
Ouvindo-o, o cristão despediu um grande grito e disse:
“Já que Deus pode mostrar-se favorável a mim, seu inimigo declarado, e censurar seu
amigo por deslealdade, como poderei persistir na infidelidade? Expõe-me os teus princípios
para que eu possa abraçar a verdadeira fé e, lançando de mim o politeísmo, adotar novos  preceitos.


Palavras de Deus a Davi 
Do Alto disse Deus a Davi: 
“Dize a meus servos: ‘Ó punhado de terra! Se eu não tivesse o céu para dar como 
recompensa e o inferno para dar como castigo, pensaríeis alguma vez em mim? Se não 
existissem a luz nem o  fogo, pensaríeis alguma vez em  mim? Mas visto que mereço o 
respeito supremo, deveis adorar-me com esperança e sem medo; e, no entanto, se nunca 
fôsseis sustentado pela esperança ou pelo medo, pensaríeis alguma vez em mim? Visto que 
sou o vosso Senhor, deveis adorar-me desde as profundezas do coração.
 Rejeitai tudo o que 
não for eu, reduzi a cinzas esse tudo e atirai as cinzas ao vento da excelência’”. 


Palavras de Deus a Davi 
O Criador do Mundo falou a Davi por trás do véu do mistério. 
“Tudo o que existe, bom ou mau, visível ou invisível, móvel ou imóvel, será apenas 
um substituto se não for eu mesmo, para quem não acharás substituto nem igual. Visto que 
nada pode tomar-me o lugar, não te separes de mim. Sou-te- necessário, dependes de mim. 
Por conseguinte, não desejo o que se te oferece se não for de mim.” 


A oração de Rab’Iah 
“Ó Deus, que conheces o segredo de todas as coisas, realiza os desejos mundanos dos 
meus inimigos e concede aos meus amigos a eternidade da vida futura! Mas, quanto a mim, 
estou livre de ambos. Ainda que eu possuísse este mundo presente ou o do futuro, estimá-loia pouco em comparação com o estar perto de ti. Só preciso de ti. Se eu voltasse os olhos 
para os dois mundos, ou desejasse alguma coisa além deste, não seria mais que um 
descrente.” 

O segundo vale ou o Vale do Amor 
A Poupa continuou: 
“O vale seguinte é o Vale do Amor. Para entrar nele é mister ser fogo flamejante — 
como o direi? O próprio homem precisa ser fogo. O rosto do amante há de estar inflamado, 
ardente e impetuoso como o fogo. O verdadeiro amor não conhece reflexões tardias; com o 
amor, o bem e o mal deixam de existir. 
“Mas quanto a vós, negligentes e descuidados, este discurso não vos dirá nada, 
vossos dentes nem sequer o tocarão. Uma pessoa leal arrisca o dinheiro que tem à mão, 
arrisca a própria cabeça para estar unida ao amigo. Outras se contentam em prometer o que 
farão por ti amanhã. Se aquele que enveredar por este caminho não se empenhar total e 
completamente, nunca se livrará da tristeza  e da melancolia que o acabrunham. Enquanto 
não atinge a meta, o falcão mostra-se agitado e aflito. 
Se for arremessado à praia pelas 
ondas, o peixe lutará por retornar à água. 
“Neste vale, o amor é representado pelo fogo, e a razão, pela fumaça. Quando chega 
o amor, a razão desaparece. A razão não pode viver com a loucura do amor; o amor não tem 
nada que ver com a razão humana. Se possuíres a visão interior, os átomos do mundo visível 
ser-te-ão manifestados. 
Mas se vires as coisas com os olhos da razão comum, jamais compreenderás quão 
necessário é amar. Só o homem posto à prova e livre pode senti-lo. Quem empreende esta 
jornada deveria ter mil corações para poder sacrificar um a cada momento.” 

Yussuf Hamdani 
Yussuf Hamdani foi um homem célebre do seu tempo, um vidente, que compreendia 
os segredos dos mundos. Foi ele quem disse: 
“Tudo o que se vê, quer nas alturas quer nas profundezas — cada átomo, na verdade 
—, é outro Jacó pedindo notícias de José, que ele perdeu”. 
No caminho espiritual, tanto o amor quanto a esperança são necessários. Se não os 
tiveres, melhor será que renuncies à busca.  O homem precisa tentar ser paciente. Mas é 
paciente o amante? Sê paciente e forceja, esperançoso, por encontrar alguém que te mostre o 
caminho. Mantém-te dentro de ti mesmo e não deixes a vida exterior capturar-te. 

Extrato de “Ganj-Nama”, o Livro do Tesouro de Osman Amru
Quando Deus comunicou o sopro puro da  vida ao corpo de Adão, que era apenas 
terra e água, não quis que as hostes de anjos soubessem e nem mesmo suspeitassem disso. 
Disse-lhes, portanto: 
“Prosternai-vos diante de Adão, ó Espíritos Celestiais!” 
Todos se prosternaram até o chão, e,  enquanto se achavam inclinados, Deus 
comunicou o sopro da vida a Adão, e nenhum deles teve conhecimento do segredo que Deus 
desejava ocultar. Isto é, nenhum senão Iblis,  que disse a si mesmo: “Ninguém me verá 
dobrar o joelho. Ainda que a cabeça me caia do corpo, isso não será tão mau quanto fazer o 
que Deus quer. Sei muito bem que não se trata apenas de Adão estar ou não estar na terra, e, 
por conseguinte”, não pretendo inclinar a cabeça e deixar de presenciar o segredo”. Assim, 
em vez de prostrar-se, Iblis ficou atento e viu o segredo. Mas Deus disse: 65
“Ó tu, que estavas espreitando, roubaste-me o segredo e, por isso, provocar-te-ei a 
morte, pois não quero que nenhum outro ser o conheça. Quando um rei da terra esconde um 
tesouro, mata a pessoa que o viu escondendo. Tu és essa pessoa”. 
“Senhor”, acudiu Iblis, “concedei-me uma trégua, pois sou vosso servo; e dizei-me: 
como poderei expiar meu pecado?” 
“Visto que ma pedes”, anunciou Deus, “conceder-te-ei  uma trégua; apesar disso, a 
partir deste momento pôr-te-ei no pescoço o colar da maldição e impor-te-ei o nome de 
mentiroso e caluniador para que toda gente se acautele de ti até o dia da ressurreição.” 
Disse Iblis: 
“Que posso temer da vossa maldição desde que esse puro tesouro se manifestou para 
mim? Assim como vem de vós a maldição, assim também vem a misericórdia. Onde há o 
veneno há também o antídoto. Amaldiçoais algumas criaturas e abençoais outras. Agora que 
delinqúi sou a criatura da vossa maldição”. 
Se não podes descobrir e entender o segredo de que falo, não é por ele não existir, 
senão por não procurares direito. Se fazes distinção entre as coisas que vêm de Deus, não és 
um homem no caminho do espírito. Se te consideras honrado pelo diamante e humilhado 
pela pedra, Deus não está contigo. Nota bem, não deves amar o diamante e detestar a 
pedra, pois ambos vêm de Deus. É melhor que tua amante, num momento de exaltação, te 
atire uma pedra do que uma mulher atirar-te uma jóia. 
No caminho do aperfeiçoamento de si mesmo, o homem não deve perder tempo nem 
por um instante. Se ele cessar, por um  átimo sequer, de trabalhar pelo próprio 
aperfeiçoamento, ficará para trás. 
http://auxilioemocional.blogspot.com.br/ 
Que dos céus caiam chuvas de bençãos sobre ti,
que possas senti-las nas palmas da mão e conserva-las no
coração.
Grata por sua visita!
Nadja Feitosa   
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