Utopia e trabalho

O que fazemos na vida  ecoa na eternidade! 

Das utopias 
Se as coisas são inatingíveis...
ora! Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos,
se não fora A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana
         


                   
                                                                  UTOPIA                                                                           

Somos seres  humanos. E o ser humano em uma só, verdade evidenciada justamente nos dois acontecimentos mais marcantes da vida: Nascimento e morte .
Todos nascemos iguais,na luta pelo oxigenio que nos maltrata o pulmão para adentrar .
E morremos tentando sorver o oxigenio aos pulmões,porque nesta hora começa a faltar.
Nascemos em um mesmo planeta porque temos,todos temos dores,aflições,fome,sede.
 Temos uma missão... missão...missão.
Porque então as civilizações divergem em certos aspectos,quando nada diferencia o ser físico e íntimo,em nenhuma nação do planeta e só idéias arraigadas por personalidades doentias poderiam  pensar de outra forma.
 O ar, agua, a criação  e todos os elementos naturais foram doados a raça humana em geral. E verificamos o quanto de violência existe na diferenciação do ser humano pelo próprio ser humano. É não só uma brutalidade ,  ignorância no mais alto grau, falta de sensibilidade e até mesmo de discernimento,que deixam estarrecida qualquer mente menos doentia.
Quando aqueles mais que privilegiados,intelectualizados,abastados, levam nações a disputas belicas,a fome e a miséria. O mundo fica realmente de luto, com  rivalidades e preconceitos de qualquer espécie: raças, religiões e exclusões que o homem cria com a fúria do convencionalismo pessoal adquirido no contato de sua personalidade com as leis antinaturais .A união dos povos total e sem discriminação seria uma utopia na qual valeria a pena apostar sonhando com a paz do mundo, com seres humanos dignos de mãos dadas em busca da generosidade, solidariedade natural e humana que deveria caracterizar o planeta em que vivemos,visto que estamos todos na mesma casa(terra). E isso constitui acima de qualquer utopia o processo mais vigoroso e fascinante da verdadeira felicidade uma verdadeira missão.Que anjos encarnados possam  habilitar-se a tal jornada com exito.



Realidade e Utopia


Por mais escuro que seja o futuro, a utopia e a fé são uma ponte lançada sobre essa escuridão, para sondá-la, nela apoiar o pé e aí construir, à proporção que ela se torna presente pelo nosso aproximar-se.

Tudo é luta na vida.  É a vida uma contínua tensão para vencer em qualquer plano. Nas suas fases mais primitivas, vencer a fera inimiga; na atual fase de vida em sociedade, vencer o próximo a fim de suplantá-lo; no biótipo do super-homem vencer para subjugar e superar as leis inferiores da animalidade e dar ao mundo novas diretrizes. Lutar para vencer, ou seja, para elevar-se, ascender, evolver. A lei suprema da evolução toma a forma de luta desesperada, para remir-se da dor e do mal e conquistar a felicidade. Esta encontra-se escrita e arde perenemente no fundo da alma humana, como um instinto, um anseio inextinguível, um sonho, uma fé, como uma utopia que sabemos fugir longínqua e inatingível, mas na qual o homem é obrigado a crer, contra todas as aparências e dificuldades, até ao desespero. Isto porque, sem tal fé num futuro melhor, mesmo que pareça loucura, não teria o homem mais conforto na fadiga de ascender, nem mais finalidade na sua caminhada, nem luz alguma de esperança no amanhã.
São por isso importantes elementos a utopia e a fé e fazem parte integrante da mecânica da vida. Por mais que desprezem tudo isso os céticos e os práticos positivos, se existe isso na vida, alguma função deve ter, e é justamente a de antecipar o futuro. A série das mesquinhas, ilusórias e instáveis aquisições, que estão ao nosso alcance na existência terrena, não é suficiente para dar finalidade e justificação a todo o trabalho imenso que realiza a nossa existência, como indivíduos e como sociedade. E não podemos dizer que vivemos para perder tempo, inutilmente, e para sofrer. Se cada fenômeno, se cada ato nosso é um caminho para uma finalidade, o fenômeno e o ato máximo, que são a nossa vida e o funcionamento do universo, como poderiam deixar de ter uma finalidade? Por mais escuro que seja o futuro, a utopia e a fé são uma ponte lançada sobre essa escuridão, para sondá-la, nela apoiar o pé e aí construir, à proporção que ela se torna presente pelo nosso aproximar-se.
Respondem, pois, a utopia e a fé a necessidades criadoras, que representam verdadeiras funções biológicas de sondagem no desconhecido e de preparação para o porvir. A luta pelo ideal, isto é, pela superação das velhas formas de vida, a fim de progredir realizando outras mais evolvidas e aperfeiçoadas, é uma das formas, e a mais elevada, da luta pela vida. Se nos primeiros degraus da evolução biológica consistia tal luta apenas em salvar, por qualquer meio, rude e feroz, a própria existência contra os elementos hostis e o assalto das feras; se hoje a mesma luta assumiu formas de competição política e econômica, próprias da vida social; para alguns biótipos mais adiantados, pode assumir essa luta outra forma: a que se dirige contra o lado humano mais involuído, específico do primitivo feroz, lado que ainda sobrevive em nossos instintos, ou seja, luta para superar o plano biológico do animal, de que faz parte ainda o nosso corpo físico. Significa isto libertar-se das formas de existência inferior, para ter acesso a outras superiores, não só na forma de progresso individual de quem realiza essa luta, mas também na forma de progresso coletivo para povos assim guiados a formas mais evolvidas de convivência.
Do livro Problemas Atuais - capI


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o profeta






A terra de nosso supremo lar
É uma terra de flores sem espinhos:
Não se permitem ali as atras florestas do medo
Nem se semeia jamais a Dor.

O riacho do amor corre ali sem cessar,
A criação é um deslumbramento
E visões celestiais consolam a terra
Enquanto torrentes imemoriais alegram os olhos.

Ali toda oração é auto-suficiente,
Ninguém regateia dádivas,
A vida é feita de verdade,
E desconhece a máscara da ilusão.

Proscrito está o egoísmo,
E vedados os pensamentos personalizados,
Senhor algum governa, servo algum obedece,
Sombra alguma empana a Divina Luz.

Não é um arroubo poético
Esse mundo de amor e êxtase
Que, no fundo de cada coração,
Espera apenas ser descoberto.

Poema sufi - Dilip Kumar Roy - Peregrinos das estrelas




Filho meu, minha voz não despreza tuas pequeninas coisas de cada dia, mas delas se eleva para as grandes coisas de todos os tempos. Ama o trabalho, inclusive o trabalho material. Coisa elevada e santa, o trabalho, presentemente, foi transformado em febre. De que não se tem abusado entre vós? Que coisa ainda não foi desvirtuada pelo homem? Em tudo vos excedeis e, por isso, ignorais o labor equilibrado, que tão elevado conteúdo moral encerra: se busca o necessário ao corpo, ao mesmo tempo contenta o espírito. E, no entanto, transformastes esse dom divino, com o qual poderíeis plasmar o mundo à vossa imagem, em tormento insaciável de posse.
ubstituístes a beleza do ato criador, completo em si mesmo, pela cobiça que nunca descansa. Quantos esforços empregados para envenenar-vos a vida! Ama o trabalho, mas com espírito novo; ama-o, não pelo que ele é propriamente, porém, como um ato de adoração a Deus, como manifestação de tua alma, nunca como febre de riqueza ou domínio. Não prendas tua alma aos seus resultados, que pertencem à matéria e, portanto, sujeitos à caducidade; ama, porém, o ato, somente o ato de trabalhar. Não seja a posse, o triunfo, a tua recompensa, mas sim, a satisfação íntima de haveres cumprido, cada dia, o teu dever, colaborando assim no funcionamento do grande organismo coletivo. Esta é a única recompensa verdadeira, indestrutível, solidamente tua; as demais depressa se dissipam e se perdem. Ainda que nenhum resultado positivo obtivesses, uma recompensa ficaria contigo para sempre: a paz do coração, paz que o mundo perdeu por prender-se às coisas concretas, julgando-as seguras. Desapega-te de tudo, inclusive do fruto de teu trabalho, se queres entrar na posse da paz.


Ocupa-te das coisas da Terra, mas apenas o suficiente para aprenderes a desapegar-te delas. Toda construção deve localizar-se no teu espírito, deve ser construção de qualidades e disposições da personalidade, e não edificação na matéria, que é um remoinho de areia que nenhum sinal pode conservar. Tudo o que quiserdes vos seja unido eternamente deve ser unido por qualidades e merecimento, deve ser enlaçado pela força sutil da Lei, por vós movimentada, nunca por vossa força exterior, ou por vínculos das convenções sociais ou ainda por liames da matéria. Só nesse sentido se pode realmente possuir: de outro modo, não obtereis senão a tristeza depois da ilusão e a consciência posterior da inutilidade de vossos esforços. Outro grande problema, que voz diz respeito, é o amor. Elevai-vos em amor, como deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias.

Do livro Grandes Mensagens - cap 3


                                                    

TRABALHO



Então, um lavrador disse: “Fala-nos do trabalho.”E ele respondeu, dizendo:“Vós trabalhais para acompanhar o ritmo da terra, e da alma da terra.Pois ser indolente é tornar-se estranho às estações e afastar-se do cortejo da vida, que avançacom majestade e orgulhosa submissão rumo ao infinito.Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma emmelodia.Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição, e o labor, uma desgraça.Mas eu vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra,desempenhando assim uma misão que vos foi designada quando esse sonho nasceu.E, apegando-vos ao trabalho, estareis na verdade amando a vida. E quem ama a vida atravésdo trabalho, partilha do segredo mais íntimo da vida.Mas se, em vossas dores, chamardes o nascimento uma aflição e a necessidade de suportar acarne, uma maldição inscrita na vossa fronte, então eu vos direi que só o suor de vossa fronte lavaráesse estigma.Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vosdisseram.E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.E todo impulso é cego, exceto quando há saber.E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.;E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios, e uns aos outros, e a Deus.E que é trabalhar com amor?É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amadofosse usar esse tecido.É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado fosse habitar essa casa.É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse comer-lhe os frutos.É pôr em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma, e saber que todos os abençoadosmortos vos rodeiam e vos observam.Muitas vezes ouvi-vos dizer como se estivésseis falando no sono: ‘Aquele que trabalha nomármore e encontra na pedra a forma de sua alma é mais nobre do que aquele que lavra a terra.E aquele que agarra o arco-íris e o estende na tela sob formas humanas é superior àquele queconfecciona sandálias para nossos pés.’Porém, eu vos digo, não no sono, mas no pleno despertar do meio-dia, que o vento não falacom maios doçura aos carvalhos gigantes do que à menor das hastes da relva; e grande ´somenteaquele que transforma o ulular do vento numa canção tornada mais suave pela sua própria ternura.O trabalho é o amor feito visível.E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria queabandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles quetrabalham com alegria.Pois se cozerdes o pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente ametade da fome do homem.E se espremerdes a uva de má vontade, vossa má vontade destilará no vionho seu veneno.E ainda que canteis como os anjos, se não tiverdes amor ao canto, tapais o ouvido do homemàs vozes do dia e às vozes da noite.
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