Da Musica


“A grande Música não é obra da inteligência pura endereçada à pura curiosidade intelectual; nasce de uma efervescência criadora que revolve e afecta a personalidade total do artista e se destina a afectar e revolver a personalidade total de cada ouvinte. Não sabemos decifrar o mistério do seu nascimento, nem o mistério do seu recebimento, mas sentimos e compreendemos bem a riqueza do seu conteúdo que abarca a integridade da vida e nos ergue a inquietações e solidariedades de carácter cósmico”
  Fidelino de Figueiredo, Música e Pensamento (quatro ensaios marginais e um prólogo), Lisboa, Guimarães Editores, 1958, p.114.

















Beethoven Piano Concerto No. 5 in E-flat major, Op. 73 Adagio

Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.

David Garrett - Albinoni - Adagio - Berlin 08.06.2010

         

 

                            
Divina Música!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.

Da Música 
Sentei-me ao pé daquela que meu coração ama, e ouvi suas palavras. Minha alma começou a vaguear pelos espaços infinitos onde o universo aparecia como um sonho, e o corpo
como uma prisão acanhada.
A voz encantadora de minha Amada penetrou em meu coração.
Isto é música, amigos, pois eu a ouvi através dos suspiros daquela que amo, e pelas palavras balbuciadas por seus lábios.
Com os olhos de meus ouvidos, vi o coração de minha Amada.
Meus amigos: a Música é a linguagem dos espíritos. Sua melodia é como uma brisa saltitante que faz nossas cordas estremecerem de amor. Quando os dedos suaves da música tocam à porta de nossos sentimentos, acordam lembranças que há muito jaziam escondidas nas profundezas do Passado. Os acordes tristes da Música trazem-nos dolorosas recordações; e seus acordes suaves nos trazem alegres lembranças. A sonoridade de suas cordas faz-nos chorar à partida de um ente querido ou nos faz sorrir diante da paz que Deus nos concedeu.
A alma da Música nasce do espírito e sua mensagem brota do Coração.
Quando Deus criou o Homem, deu-lhe a Música como uma linguagem diferente de todas as outras. Mesmo em seu primarismo, o homem primitivo curvou-se à glória da música; ela envolveu os corações dos reis e os elevou além de seus tronos.
Nossas almas são como flores tenras à mercê dos ventos do Destino. Elas tremulam à brisa da manhã e curvam as cabeças sob o orvalho cadente do céu.
A canção dos pássaros desperta o Homem de sua insensibilidade, e o convida a participar dos salmos de glória à Sabedoria Eterna, que criou a melodia de suas notas.
Tal música nos faz perguntar a nós mesmos o significado dos mistérios contidos nos velhos livros.
Quando os pássaros cantam, estarão chamando as flores nos campos, ou estão falando às árvores, ou apenas fazem eco ao murmúrio dos riachos? Pois o Homem, mesmo com seus conhecimentos, não consegue saber o que canta o pássaro, nem o que murmura o riacho, nem o que sussurram as ondas quando tocam as praias vagarosa e suavemente.
Mesmo com sua percepção, o homem não pode entender o que diz a chuva quando cai sobre as folhas das árvores, ou quando bate lentamente nos vidros das janelas. Ele não pode saber o que a brisa segreda às flores nos campos.
Mas o coração do homem pode pressentir e entender o significado dessas melodias que tocam seus sentidos. A Sabedoria Eterna sempre lhe fala numa linguagem misteriosa; a Alma e a Natureza conversam entre si, enquanto o Homem permanece mudo e confuso.
Mas o Homem já não chorou com esses sons? E suas lágrimas não são, porventura, uma eloquente demonstração?
                          khalil gibran             
Segundo Huberto Rohden,

“Einstein recorria frequentemente à música - piano ou violino – talvez para lançar uma ponte sobre o abismo entre a concentração mental e a intuição cósmica. MaTemátiCa, MeTafísiCa, MíSTiCa são, no fundo, a mesma coisa – e parece que estes 3MMM necessitam do quarto M da MúSiCa, não da moderna, dispersiva, mas de certas músicas profundamente concentrativas. Einstein preferia Bach, Mozart, Bethoven.” 

(in.: EINSTEIN – O ENIGMA DO UNIVERSO, P. 104)

Auxilio emocional de forma singular é ouvir uma bela melodia e deixar-se levar pelo caminho da alma. A música toca algum ponto que você mesmo desconhece,e repentinamente  acaba-se criando imagens mentais com sentimentos intensos e profundos de forma que  os mais sensíveis  não sabem dizer se foi  uma criação mental ou talvez uma recordação de vidas passadas? NadjaFeitosa                                                                                                                                                         

Marcus Viana - A Sonata

Historia de Amor - Beethoven

Moonlight Sonata [Ludwig van Beethoven]

Minha canção te envolverá com sua música, como os abraços sublimes do amor.
 Tocará o teu rosto como um beijo de graças.
 Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido
 Minha canção será como asas para os teus sonhos
 e elevará teu coração até o infinito.
 Quando a noite escurecer o teu caminho,
 minha canção brilhará sobre ti como a estrela fiel. 
Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas.
 Quando minha voz se calar para sempre, minha canção te seguirá em teus pensamentos.

Rabindranath Tagore

                                                      Segundo Huberto Rohden,
“Einstein recorria frequentemente à música - piano ou violino – talvez para lançar uma ponte sobre o abismo entre a concentração mental e a intuição cósmica. MaTemátiCa, MeTafísiCa, MíSTiCa são, no fundo, a mesma coisa – e parece que estes 3MMM necessitam do quarto M da MúSiCa, não da moderna, dispersiva, mas de certas músicas profundamente concentrativas. Einstein preferia Bach, Mozart, Bethoven.” 

(in.: EINSTEIN – O ENIGMA DO UNIVERSO, P. 104)

                                  outra maravilha para os sentidos:

Ennio Morricone,Spiel mir das Lied vom Tod & Cheyenne & On

                                                                             

 

                                             A origem dos nomes das notas musicais                                                 

       A oitava cósmica 

 
O Raio da Criação, 
progredindo desde o Absoluto 
até os satélites dos planetas 
segue a cadência da Oitava -
Na tradição Gnóstica chamava-se 
a GRANDE OITAVA 
ou a Oitava Cósmica: 
1) DÓ: Deus, Absoluto manifesto - Sol central. DOminus 
2) Si: Céu estrelado, conjunto de todos os mundos - SIderus Orbis 
3) La: Nosso grande mundo: a via láctea - LActeus Orbis 
4) Sol:  SOL
5) Fa: Mundo planetário - FAtum 
6) Mi: Terra - mistura do bem e do mal - MIxtus Orbis 
7) Ré: Lua, a regente do destino humano, segundo os antigos -REgina Astris  
 
Pietro Ubaldi,
 em Roma, enquanto fazia o ginásio, iniciou seus estudos de piano, terminando-o quando fazia o curso universitário.
: “Amante da música pura, desde os dias de ginásio até a Universidade, vai executando ao piano os prelúdios e os noturnos de Chopin, os dramas musicais de Wagner, as sonatas e as sinfonias de Beethoven, os poemas sinfônicos e as rapsódias de Lizt, as missas e cantatas de Mozart, e os “lieder” de Schubert, os prelúdios e as fugas de Bach
Em seu livro As Noúres, como preparação do ambiente para escrever, diz o próprio Autor: “Uso a música como outro meio inicial de sintonização de ambiente, a fim de que ajude a saltar da harmonização nesse primeiro plano sensório exterior para a minha harmonização nos mais altos planos supersensórios; essa música obtenho através do rádio e do radiofonógrafo, especialmente a melhor música: Wagner, Beethoven, Bach, Chopin e outros.”
Para Ubaldi, como para todo sensitivo, a música ajuda a percepção das mensagens de planos mais altos e lhe proporciona tranquilidade, verdadeira paz de espírito. Sem esta, a plenitude da missão fica mais difícil de ser alcançada. Diz ele: “Um dos momentos de minha vida é a convivência no torturante estrépito psíquico humano, que só a insensibilidade dos involuídos pode suportar.” A música que contém a inspiração divina suaviza este estado de alma. “Utilizo a música como primeiro degrau no caminho do bem e da ascensão do espírito.”
                                                                        
"Grande desconhecido!

Ah o canto dolorido da tua flauta chamando!

Esqueço, esqueço sempre que não tenho o corcel alado.
Não consigo encontrar o sossego, 
sou um estrangeiro
em meu próprio coração.
Nas brumas batidas de sol das horas lânguidas que imensa visão
de ti me aparece contra o azul do céu!

Grande irreconhecível! 

Ah! o canto dolorido da tua flauta chamando!

Esqueço, esqueço sempre que na casa em que habito sozinho,

todas as grades estão fechadas."

Tagore
Todo coração que arde 

nesta noite 

é amigo da música. 

Ardendo por teus lábios 

meu coração 

transborda de minha boca. 
Silêncio! 
És feito de pensamento, afeto e paixão. 

O que sobra é nada além de carne e ossos. 


Por que nos falam de templos de oração, de atos piedosos? 

Somos o caçador e a caça, 

outono e primavera, noite e dia, 
o Visível e o Invisível
Somos o tesouro do espírito. 
Somos a alma do mundo, 
livres do peso que vergasta o corpo. 
Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço 
nem mesmo da terra que pisamos. 
No amor fomos gerados, 
No amor nascemos."
Rumi
A música é chamada de a arte divina ou celestial não apenas porque ela é em si uma religião universal, mas por causa de sua sutileza em comparação com todas as outras artes e ciências. Cada escritura sagrada, ilustração sagrada ou palavra falada sagrada, produz a impressão de sua identidade sobre o espelho da alma, mas a música permanece diante da alma sem produzir nenhuma impressão deste mundo objetivo nem em nome nem em forma, assim preparando a alma para realizar o infinito.

Reconhecendo isso, o Sufi chama a música de giza-i-ruh, a comida da alma, e usa a música como uma fonte de perfeição espiritual, pois a música ventila o fogo do coração e a chama que surge dele ilumina a alma. O Sufi tira muito mais proveito da música em suas meditações do que em qualquer outra coisa. Sua atitude devocional e meditativa torna-o sensível à música, a qual ajuda-o em seu desenvolvimento espiritual. A consciência, através da ajuda da música, primeiramente liberta-se do domínio do corpo e depois da mente. Uma vez isso realizado, apenas mais um passo é necessário para atingir a perfeição espiritual.


Os Sufis de todas as épocas tiveram um sério interesse na música em qualquer terra em que residiram. Rumi adotou especialmente essa arte por conta de sua grande devoção. Ele ouvia os versos dos místicos sobre o amor e a verdade cantados pelos qawwals, os músicos, com o acompanhamento da flauta.


O Sufi visualiza o objeto de sua devoção em sua mente que é refletido sobre o espelho de sua alma. O coração, o fator do sentimento, é possuído por todos, embora ele não seja um coração vivente em todas as pessoas. O coração é tornado vivo pelo Sufi que dá vazão aos seus sentimentos intensos em lágrimas e suspiros. Ao fazê-lo, as nuvens do jelal, o poder que congrega com seu desenvolvimento psíquico, caem em lágrimas como gotas de chuva e o céu de seu coração é clareado, permitindo a alma brilhar.
Essa condição é considerada pelo Sufi como um êxtase sagrado. O wajad, ou êxtase sagrado que os Sufis experimentam como regra no sam'a, pode ser dito ser a união com o Desejado. Existem três aspectos dessa união que são experimentados pelos diferentes estágios de evolução.
O primeiro é a união com o ideal reverenciado do plano da terra, presente diante do devoto, seja no plano objetivo ou no plano do pensamento. O coração do devoto, repleto de amor, admiração e gratidão, torna-se capaz de visualizar a forma de seu ideal de devoção enquanto escuta a música.


O segundo passo no êxtase e a parte mais elevada da união é a união com a beleza de caráter do ideal, não importando a forma. A música em louvor ao personagem ideal ajuda o amor do devoto a brotar e transbordar.


O terceiro estágio no êxtase é a união com o divino Amado, o mais elevado ideal, que está além da limitação do nome e da forma, da virtude e do mérito; com o qual a alma tem constantemente buscado a união e a quem ela finalmente encontrou. Essa alegria é inexplicável. Quando as palavras dessas almas que já atingiram a união com o divino Amado são cantadas diante daquele que está trilhando o caminho do amor divino, ele vê todos os sinais no caminho descritos naqueles versos e isso é um grande conforto para ele. O louvor Daquele assim idealizado, tão diferente do ideal do mundo em geral, preenche-no com uma alegria além das palavras.

O êxtase manifesta-se em vários aspectos. Às vezes o Sufi pode estar às lágrimas, às vezes pode estar suspirando, às vezes ele se manifesta em Raqs, movimentos. Tudo isso é considerado com respeito e reverência por aqueles presentes na assembléia do sam'a, pois o êxtase é considerado uma bênção divina. O suspiro do devoto ilumina um caminho para ele no mundo invisível e suas lágrimas lavam o pecado de eras. Toda revelação segue o êxtase, todo o conhecimento que um livro jamais poderá conter e que a linguagem jamais poderá expressar, nem um professor ensinar, vem a ele por si mesmo.
 A  todos os amigos que as notas musicais alcançarem neste blog o meu carinho e gratidão ecoem pelo universo.  A  todos os amigos que as notas musicais alcançarem neste blog o meu carinho e gratidão.
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